sexta-feira, 24 de março de 2017

Quaresma


A Quaresma é um tempo litúrgico que dura quarenta dias, começando na Quarta-feira de cinzas e terminando no domingo de ramos.

Fundamentalmente, é um período voltado para reflexão, no qual se busca mais momentos de oração e penitência, visando bem acolher Jesus Ressuscitado no domingo de Páscoa.

Para atingir esse objetivo, já na missa da quarta-feira de cinzas, o sacerdote faz o sinal da cruz nas testas dos fiéis, marcando-as com as cinzas e diz: “Convertei-vos e crede no Evangelho” ou “Tu és pó, e ao pó voltarás”. Tudo isso para convidar a conversão, a fim de todos pararem e refletirem: Em que preciso melhorar? Nessa mesma celebração, o Evangelho proclamado propõe os três importantes pilares desse período: o jejum, a oração e a caridade.

Dessa forma, deve-se utilizar esse tempo para arrepender-se dos pecados, deixando para trás as atitudes que não agradam a Deus. Assim é possível avançar na caminhada, aproximando-se do Pai, tendo Cristo como exemplo a ser seguido durante toda a vida.

Mas como as crianças podem vivenciar esse rico e importante período? Sendo crianças, afinal a pureza de um coração de uma criança reflete a essência do amor de Deus. Então, seguem algumas dicas para os pequeninos vivenciarem bem a quaresma:

- Ajudar mais os pais nas tarefas de casa;
- Jogar menos vídeo-game e permanecer menos tempo nas redes sociais. Assim haverá mais tempo disponível para fazer bem ao próximo;
- Gastar menos dinheiro com doces e brinquedos e ajudar os necessitados;
- Visitar os idosos da família;
- Rezar pelos enfermos;
- Doar alguns dos seus brinquedos e roupas para crianças pobres;
- Estudar mais para futuramente ter um trabalho digno e poder com seu sustento e sua profissão ajudar aqueles que não tiveram a oportunidade de frequentar uma escola;
- Prestar atenção na missa;
- Não falar palavrão;
- Não brigar com os amigos e com os irmãos;
- Obedecer aos pais;
- Reclamar menos;
- Cuidar melhor dos seus brinquedos e do seu material escolar;
- Ir mais vezes à igreja;
- Abraçar mais os pais;
 - Proporcionar mais momentos de oração em família.

Portanto, aproveitem, pois ainda há tempo de vivenciar uma santa quaresma!


“Sede santos, como Vosso Pai é Santo”. Mt 5, 48

quinta-feira, 16 de março de 2017

Via Sacra

NO MEIO DA QUARESMA HAVIA UMA CONSAGRAÇÃO A MARIA OU NO MEIO DA CONSAGRAÇÃO A MARIA HAVIA UMA QUARESMA?

Olá fieis!!! Gostaria muito de dividir com vocês esse período da Quaresma.

Pois bem, esse é o primeiro ano efetivamente que estarei vivenciando o período quaresmal, pois ano passado (2016) eu não tinha nem feito a primeira comunhão.

Tempo quaresmal é um período muito reflexivo, pois nesses 40 dias tiramos para rezar e ajustar nossas vidas conforme os ensinamentos do Nosso Senhor. Não que não tenhamos que fazer isso todos os dias, mas nesse período tudo fica mais intenso.

Se não bastassem as dificuldades penitenciais deste período, no dia 20/02/2017 comecei as orações diárias para a Consagração total a Jesus pelas mãos de Maria pelo método do Tratado a Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem de São Luiz Maria Grignion de Montfort.

Fiéis, vos digo: O Tratado é de leitura complexa e as orações são diárias e bem extensas!!!

Pensem em alguém que mal começou a andar e já quis sair correndo... Prazer, essa sou Eu!

Ta aí, no meio do Carnaval, precisei realizar todas as orações e não furei nenhum dia! Mas chegou a Quarta-feira de Cinzas... E agora? Além das orações que já vinha fazendo, o que preciso saber para me preparar para esse período?!!!

Na Quarta-feira de Cinzas aprendi que não se come carne vermelha, faz-se jejum e a Santa Igreja recomenda algumas orações e necessário se faz ir a Missa.

Missa!!!!! Mas eu estava viajando e no local não possuía Igreja! A Igreja mais próxima precisava passar por um engarrafamento gigante e não havia a certeza se a paróquia celebraria missa! Vale lembrar sobre as dificuldades da quantidade de Sacerdotes no interior do Rio de Janeiro e no Brasil.

Uma ressalva, para uma breve reflexão... Pedi perdão a Jesus pela minha ausência na Missa, e fiz uma oração em agradecimento aos meus Sacerdotes que sempre estão a minha disposição:

Padre Wagner e Padre Abimar – Matriz de Santa Rita de Cássia - Centro;
Padre Sebastião – Santuário Nossa Senhora de Loreto – Freguesia;
Padre Francisco – Igreja de Santa Luiza – Centro;
Padre George – Paróquia São Basílio e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – Centro.

Embora não tenha ido a Santa Missa, tenho a real noção que sou pó e ao pó hei de voltar (Gn 3.19).

No decorrer da semana, me deparo com a primeira sexta-feira da Quaresma e mais uma descoberta... Necessário se faz o jejum, abster-se de comer carne vermelha e realizar orações. Verdade é que todas as nossas sextas-feiras são de penitência, mas na Quaresma sempre fica um “Que” especial.

Neste período, muito se fala das práticas católicas e uma delas que descobri foi a oração da Via Sacra. 

Bem, eu conhecia a história da Via Sacra, mas não tinha noção que também podia ser rezada.

Cheia de curiosidade sobre a Via Sacra, olhem o que aprendi...

A saber:

Através da Via Sacra medita-se sobre a Paixão de Nosso Senhor. Essa meditação consiste que se percorra mentalmente a caminhada de Jesus a carregar a cruz do pretório de Pilatos até o Monte Calvário. Essa meditação interna é muito praticada no período quaresmal e tem inicio na primeira sexta-feira deste período.

Estudos apontam que sua origem se deu com as Cruzadas (séc. XI/XIII), pois nesta época os peregrinos costumavam percorrer na Terra Santa os lugares sagrados da Paixão de Cristo em Jerusalém.

Nos tempos atuais (a partir do séc. XVI), a Via Sacra compreende quatorze estações, onde cada uma destas representa um momento do sofrimento e morte de Jesus Cristo e são profundamente meditadas.

Embora possa parecer uma devoção muito triste, precisa-se lembrar de que Jesus quis se entregar a verdadeira vida por meio da Cruz.

São Paulo em 1Cor.1,23-25, traz com muita devoção e amor a necessidade de fazer saber que, toda a luta de Jesus e o nascimento da Santa Igreja gira em torno da Cruz.

Como bem explicitado na Escritura Sagrada, Cristo crucificado foi um escândalo para os Judeus que esperavam por um Cristo triunfante e uma loucura para os Gregos que buscavam e se apoiavam na razão e na sabedoria. Mas para os Cristãos, a crucificação nada mais é a força e sabedoria de Deus, pois assim o quis.

A Cruz como iniciativa de Deus para a salvação, torna-se realidade em Jesus que se comunica com seus filhos fracos deste mundo com sabedoria, justiça, consagração e resgate através dela.

No momento em que Deus designa a morte de seu próprio filho e Dele mesmo por este meio, tudo se resume na palavra LIBERTAÇÃO.

Olhar para a Cruz meditando todos os momentos da Via Sacra é manter viva a nossa memória em Jesus e relembrar todo seu sofrimento para a nossa salvação.

Danielle Soares, 
Matriz de Santa Rita de Cássia, 
Centro, Rio de Janeiro.

Você sabia... que também é possível percorrer o caminho da Via Sacra pelo Mistério Doloroso do Santo Terço Mariano?

Sim, sabia! No terceiro terço do Rosário, aprecia-se os cinco Mistérios Dolorosos, que contemplam a Paixão e morte de Jesus:

01º) Agonia de Jesus no horto;
02º) Flagelação de Jesus;
03º) Corações de espinhos;
04º) Jesus carregando a cruz no caminho do calvário;
05º) Crucificação e morte de Jesus.

Assim, pode-se também meditar sobre a Via Sacra através dos Mistérios Dolorosos, pois o Rosário é considerado a oração perfeita, pois nela está a majestosa história da salvação.

Leitura Recomendada:
Gn 3.19
Jl 2,12-18
1Cor 1,23-25
2Cor 5,20-6,2
Mt 6,1-6.9,14-15.16-18
Is 58,1-9a

Fontes:
Bíblia Sagrada Edição de Estudos; Tradução dos originais grego, hebraico e aramaico mediante a versão dos Monges Beneditinos de Maredsous; 5ª Ed.; São Paulo: Ave-Maria, 2015;
w2.vatican.va

quarta-feira, 15 de março de 2017

Quaresma


                Gostaria hoje de testemunhar uma mudança de vida que ocorreu EM UM PERÍODO QUARESMAL, uma mudança mais que especial, e que acredito que você possa se identificar em algum momento.

                Venho contar a vida de uma personagem que buscava seu encontro com Deus, que buscava entender um pouco mais da vida, principalmente a vida em Deus, e tamanha foi a providência que tudo começou justamente na quarta-feira de cinzas, onde ela entrou na igreja e participou da celebração, recebeu as cinzas, e neste momento ao ouvir a voz do sacerdote dizendo “Lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar” foi tocada profundamente em seu coração, foi tomada por um sentimento único de amor, de perceber que ali se apresentava uma oportunidade de caminhar junto de Deus por meio de sua conversão. Este sentimento teve início justamente na homilia, ao ouvir sobre os quarenta dias que antecediam a páscoa foi tomada como num sopro forte do Espírito, antes mesmo do padre continuar sua homilia, ela foi remetida imediatamente em sua memória a catequese que já havia feito anos atrás, e assim vieram os quarenta dias de dilúvio, os quarenta dias de Moisés no Monte Sinai, 40 dias de Jesus no deserto antes de começar o seu ministério, quarenta anos de peregrinação do povo de Israel no deserto, enfim, os quarenta dias que se apresentavam para ela, agora com a fronte marcada com as cinzas, como via de retorno à Deus.

                Nossa personagem começou a mudar a partir do momento que fez sua opção por Deus, de dar o seu sim ao Senhor, e assim começou a perceber que era necessária uma mudança, logo, deu início a sua peregrinação de fé, começou a seguir o que a Igreja orientava para este período de forte reflexão da vida, começou seu aprofundamento nas orações, na penitência, no jejum e na esmola. Ela começou a perceber que participar ativamente das missas a aproximava cada vez mais de Deus, por meio de suas orações com a comunidade e de suas orações particulares, viu na reflexão diária uma busca intensa de se conhecer e de poder assim clarear suas atitudes, buscando um coração contrito, um coração arrependido verdadeiramente, depositando sua confiança na misericórdia de Deus, assim buscava viver a penitência em sua vida. Confiante caminhando na fonte de pura misericórdia do Coração Sagrado de Jesus, sentia que sua vida era lavada no sangue preciosíssimo do Cristo. Praticava o jejum com alegria, jejum do alimento, jejum das palavras, pois bem sabia que às vezes saíam palavras de sua boca que não eram construtivas, buscava de fato uma mudança intensa em sua vida, aprendeu que na esmola ela encontrava o Cristo no próximo necessitado, e assistia assim aos que precisavam, mesmo que não tivesse o que dar no plano material procurava ajudar no acolhimento, ouvindo, sendo de fato o Cristo para quem precisava.
                Esta personagem de fato acolheu este tempo quaresmal em sua vida e assim viveu, vive,  e viverá toda quaresma como se fosse a primeira, sempre fará de cada dia de sua vida um dia dedicado ao Senhor, no seu sim ela encontrou a força e o meio que a impulsionou em direção a Deus, passou a compreender o sentido penitencial desse tempo de graça, percebeu que tudo na Igreja tem uma ligação linda, que as cinzas que iniciaram sua caminhada tiveram sua origem naquele domingo de ramos, sim, nos ramos que foram a forma que povo encontrou de saudar a entrada do Cristo em Jerusalém tornaram-se as cinzas que marcaram sua fronte e a impulsionaram em sua entrada na vida em Cristo.
                Gostaria de com muita alegria e fé apresentar esta personagem que acabei de relatar neste breve testemunho, ela é você, isso mesmo, você que Deus chama a fazer esta experiência quaresmal, esta experiência do céu em sua vida, sim, você, aquele que Deus escolheu, que Deus ama, que Deus quer ter por perto.
              Deus nos abençoe e que possamos nos encontrar na Matriz de Santa Rita e viver esta Santa Quaresma, e quem sabe nos encontrarmos no Domingo de Ramos e vivermos intensamente a Semana Santa....

quarta-feira, 8 de março de 2017

LUX

LUX

Olá fiéis, mas uma vez estou aqui para dividir minha odisseia Cristã.

No dia 02/02, no dia da Apresentação do Nosso Senhor no Templo, obviamente, fui até a Santa Igreja para assistir a linda celebração, afinal de contas, tinha passado três semanas lendo sobre o assunto e queria assistir o sacerdote explicar com suas sábias palavras tudo aquilo que havia estudado.

Ao chegar na Paróquia Nossa Senhora de Loreto, no bairro da Freguesia, um senhor da pastoral do acolhimento entregou-me uma vela e disse que haveria a procissão da luz.

Animada e feliz com mais uma novidade apresentada pela nossa rica Igreja, tirei uma foto da vela com o altar de fundo, e enviei para o amigo Fiel Marcos Soares através de uma rede social.

Adivinhem o que aconteceu?!!! Meu Fiel amigo perguntou-me: Você sabe o simbolismo das velas para nós cristãos? E eu respondi: Iiiiiiiiiii não!!! Como bom cristão e bom amigo disse o Fiel Marcos: Pode começar sua nova pesquisa!!!!

Lá fui eu pesquisar!!!

Encontrei tanta dificuldade para localizar material fidedigno para esse tema... nossa! Deu trabalho!

À saber:

Estudos estimam que as primeiras velas foram encontradas em pinturas em cavernas a cerca de 50.000 anos A.C., motivando que a luz era fornecida por gordura animal e fibra de plantas que funcionavam como pavio.

Num breve passeio pela história do mundo, as primeiras referências sobre velas, datam do sec. X A.C e vêm referidas em textos bíblicos.

Através de descobertas arqueológicas as velas também foram muito utilizadas no Egito e na Grécia.

Na Idade Média as velas serviam também para iluminar Igrejas, Mosteiros e Salões.

Como observa-se a vela é utilizada também por todas as civilizações e religiões como uma maneira de chegar mais próximo do Divino.

Mas para a nossa Igreja, o que a vela significa?

“Quando acendemos uma vela, colocamo-la, não debaixo da mesa, mas sobre o castiçal, para que ela ilumine a todos que estão em casa. Assim também deve brilhar vossa luz diante dos homens, para que eles vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,14).

Para quem tem um olhar claro e atento; e um coração puro, entende que Deus fez tudo carregado de muitos símbolos, e a vela, acredito que seja um dos mais importantes e relevantes para nossa fé, pois a luz extraída da vela simboliza a esperança e o amor.

O verbo “velar” significa ficar de sentinela, cuidar, vigiar, logo, ao acender uma vela também se faz um pedido de proteção à Deus.  

Em vários momentos da liturgia, encontra-se significados para as velas acesas como maior expressão da vida na fé dos fiéis que rezam. Ali está a presença de Deus!

Observa-se que na noite do Sábado Santo é aceso o Círio Pascal que significa Cristo ressuscitado.

Ao batizar uma criança, a vela do batismo é acesa no Círio Pascal demonstrando que a vida de fé daquela criança é a mesma nova vida do Cristo Ressuscitado.

Acende-se também velas aos Santos como forma de prestar-lhes honra e suplicar a intercessão junto a Deus.

As quatro velas acesas no Advento. Aos mortos também se prestam homenagens como forma de alcançar-lhes a luz da salvação.

Ao fazer uma oração privada de súplica ou de agradecimento a graça alcançada.

A vela votiva que significa um voto aceso pela consagração, de devoção, de confiança e de oração silenciosa.

O castiçal de sete velas, também chamado de “Menorah”, usado para representar o Espírito Santo e os sete dons do Espírito.

O Sacramento da Confirmação também é representado por uma vela que é acesa no Círio Pascoal.
Exemplos da Luz do Mundo não nos falta!    

As passagens bíblicas estão cheias de dicas sobre a luz de Deus, vejamos: Gn 1,1-3: “fiat lux” – Faça-se a luz; Sl 1,6; 36,18; 26,1: O Senhor é a minha luz e a minha salvação; Jo 1,9; 8,12; 12,35: Eu sou a luz do mundo; Lv 24,1-4: O Senhor disse a Moisés; Is 9,1; 11,2-3: O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; Lc 2,22-32 – Apresentação de Jesus no templo;   

Diante de algumas das passagens bíblicas acima citadas e de alguns exemplos dos momentos litúrgicos, percebe-se que quando se acende o fogo da fé em nossas almas, assim como o fogo da vela que vai sendo consumida, é assim também o fogo da verdade católica que vai consumindo seus fiéis e fazendo com que ele gaste sua vida para produção de luz verdadeira e o calor da caridade diante de seus irmãos.

Que sejamos a luz da vela no caminho daqueles que se encontram na escuridão, como um farol em forma de torre para os navios à deriva, bem como o calor que aquece aqueles que sentem frio nos dias de inverno.   

Você sabia que no dia 02 de fevereiro também se comemora a festa de Nossa Senhora da Candelária?
Sim, no Cântico de Simeão – Nunc Dimittis – Ele diz que Jesus será a Luz que irá aclarar os genitos (Lc 2:29-32). Tem-se início ao culto em torno de Nossa Senhora da Luz, que também é conhecida como Nossa Senhora das Candeias, da Candelária, da Purificação ou da Apresentação, onde a celebração é realizada com uma procissão de velas.   

Leitura Recomendada:
Gn 1,1-3
Sl 1,6; 36,18; 26,1
Jo 1,9; 8,12; 12,35
Lv 24,1-4
Is 9,1; 11,2-3
Lc 2,22-32

Fontes:
Bíblia Sagrada Edição de Estudos; Tradução dos originais grego, hebraico e aramaico mediante a versão dos Monges Beneditinos de Maredsous; 5ª Ed.; São Paulo: Ave-Maria, 2015;
http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p2s2cap1_1210-1419_po.html
http://www.miliciadaimaculada.org.br/ver3/default.asp?pag_ID=2679

Danielle Soares, 
Matriz de Santa Rita de Cássia, 
Centro, Rio de Janeiro.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

APRESENTAÇÃO DO SENHOR NO TEMPLO – DUPLO MISTÉRIO

     Quando o Fiel Marcos Soares me convidou para escrever sobre a apresentação do Senhor no templo que acontece no dia 02 de fevereiro, confesso que fiquei encafifada... Como pode haver apresentação do Senhor nesta data, se Ele já foi apresentado no Natal (25/12), quando Ele nasceu?

     Que fique claro aos meus amigos fiéis que estão lendo esse breve apontamento, eu sou muito leiga nos assuntos do Nosso Senhor e da Nossa Igreja... mas estou firme na pesquisa e na caminhada. Tenho tantas dúvidas!!!! Mas vamos que vamos!

     A palavra “apresentação” significa o ato de comparecer perante alguém em algum lugar. Humm, então nesse caso, imagino que se fez necessário apresentar Jesus à alguém em algum lugar. Mas “pera ai”, o menino Jesus já não tinha sido apresentado aos três Reis Magos, pensei...

     Dentro da minha ignorância, eis que surgiu a luz do conhecimento onde me fez pesquisar pelo tema e olha o que encontrei!

     Com todas essas dúvidas, entrei no site do Vaticano para começar minha pesquisa e sanar meus questionamentos.

     Bom, de fato meu raciocínio não estava tão infundado assim, pois a Apresentação do Senhor
está correlacionado aos mistérios da infância de Jesus, como: Natal, Circuncisão, Epifania, a
Apresentação de Jesus no templo, A fuga para o Egito.

     Este mistério em específico que acontece no dia 02 de fevereiro, o que quer de fato nos dizer?

A saber:

     Naquela época, na Lei Antiga trazida pelo Antigo Testamento, havia dois preceitos quanto ao nascimento de filhos primogênitos.

     O primeiro, a mãe permanecia retirada em casa por 40 dias após o nascimento do filho e ao final deste período deveria ir ao templo purificar-se (Lv 12). Já o segundo, os pais deveriam levar o menino ao templo e ali o ofereciam a Deus. Após o oferecimento do menino, necessário se fazia resgatá-lo por cinco silcos de prata (Nm 18,16). Essa era a Lei de Moisés (Ex 13,2).

     Ok então! Mas para quem foi entregue o primogênito no templo e se fazer cumprir a Lei de Moisés?

     Na época, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso e que já aguardava pela profecia do nascimento do Salvador. Era um varão santo que reunia todas as características de uma ancianidade e que aguardava o Messias. Homem de grande fé e acreditava nas promessas de Deus, pois seu discernimento fazia o crer na libertação do pecado e o consolo do povo.

     Quando Maria e José chegaram com o menino no templo, Simeão toma o menino nos braços e se concretiza a profecia: “O espirito santo estava com ele...”, e tão logo também diz Simeão: “... e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o messias que vem do Senhor...” (Lc 2,26). Diante das narrativas, leva-se ao raciocínio de que Simeão teria sido o primeiro varão a gozar desse grande privilégio de ter o salvador nos braços. Depois de José, é claro!

     Ao ouvir as palavras de Simeão, Maria e José sentiram forte admiração pelo ancião, pois confirmava-lhes o que o anjo lhes tinha comunicado. Entretanto, após o anuncio ensombrou a alegria, pois o Messias cumpriria a sua missão por meio de sofrimento e a mãe ficaria associada à dor do filho (Lc 2,34-35).

     Diante de tanta leitura é possível observar a profundidade que tem esse episódio da vida do nosso Senhor. Em primeiro lugar, o cumprimento da profecia de Malaquias (Ml 3,1). E, segundo lugar Maria compreendeu que Jesus deveria ser conduzido ao templo não para o resgatar como os outros primogênitos, assim como previsto na Lei de Moises, mas sim para ser oferecido em verdadeiro sacrifício ( Hb 10,5-7).

     Em uma analogia ao que vivenciamos na Santa Missa, a apresentação de Jesus no templo, poder-se- ia comparar, de algum modo, ao Ofertório do Sacrifício do Calvário. Na preparação desse sacrifício, como depois na sua realização no cume do Golgota, já se estava reservado um lugar especial para a mãe do Salvador.

Danielle Soares, 
Matriz de Santa Rita de Cássia, 
Centro, Rio de Janeiro.

Você sabia...

     Que o Mistério Gozoso rezado no Terço Mariano tem toda relação com o mistério da Apresentação do menino Jesus no templo e A purificação de Nossa Senhora?


     Sim, no primeiro terço do Rosário, rezados nas segundas, sábados e domingos do Advento, contemplamos os cinco mistérios gozosos que aprecia a encarnação do Filho de Deus e sua missão no mundo. São eles: 1º: Anunciação a Maria; 2º: Visitação de Nossa Senhora a sua prima Isabel; 3º Nascimento de Jesus; 4º: Apresentação do menino Jesus no templo e purificação de Nossa Senhora; 5º Perda e encontro do menino Jesus no templo.

     Recomenda-se que, quando não se rezar o Rosário inteiro de uma só vez, que se respeite essa ordem a cima apresentada para que o Terço Gozoso fique completo.

Leitura Recomendada:
Ml 3,1-4
Hb 2,14-18
Lc 2,22-40

Fontes:
Bíblia Sagrada Edição de Estudos; Tradução dos originais grego, hebraico e aramaico mediante a versão dos Monges Beneditinos de Maredsous; 5ª Ed.; São Paulo: Ave-Maria, 2015;

Dias, Monsenhor João Scognamiglio Clá, O inédito sobre o Evangelho – Comentários aos evangelhos Dominicais, Vl, VII; São Paulo: Libreria Editria Vaticana – Instituto Lumen Sapientiae, 2013;

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